Trabalhar e ser mãe, sem culpa e com muito amor por Chris Flores

Lembro como se fosse hoje, o dia em que levei meu filho, Gabriel, então com sete meses, à creche pela primeira vez. Ele entrou com uma funcionária escola adentro, enquanto eu aguardava ao lado de fora. Sem dúvida, foram as duas horas mais eternas da minha vida. Esperei me chamarem. Esperei ele chorar. Esperei alguém vir me dizer que ele estava sentindo a minha falta…

Óbvio que isso não aconteceu. Pelo contrário. Meu bebê não só se adaptou logo de cara, como no dia seguinte não precisei ficar lá esperando de novo. Os anos se passaram e sempre trabalhei muito. Quantas vezes não tive que viajar ou gravar madrugada adentro e mal tinha tempo para ver meu filho? Foram inúmeras as vezes em que saí de casa e ele ainda não tinha acordado e quando voltava ele já estava dormindo. E aí, claro, batia aquela culpa. “Será que eu devo trabalhar menos e passar mais tempo com meu filho”? “Vou perder a infância dele”? “Meu filho vai se sentir abandonado”?

Sem dúvida esse é um dilema que nós mulheres enfrentamos todos os dias com nossa jornada dupla de trabalhar e cuidar da casa e da família, não é mesmo? Para nossa sorte, hoje muitas empresas estão olhando com mais generosidade para as mulheres que decidem ser mães. A Brandili, por exemplo, faz parte do Programa Empresa Cidadã, na qual as mulheres têm direito a licença-maternidade de 180 dias e os pais, de 20 dias. Isso porque as empresas hoje entendem que os homens também exercem um papel fundamental nos cuidados com os filhos recém-nascidos. E quando a mulher tem mais apoio, ela se sente mais preparada para encarar todos os desafios que a profissão e a maternidade exigem dela.

Chris Flores e Gabriel

Saiba mais: Chris Flores conta sobre a experiência de ser mãe

Eu bati um papo muito produtivo no Facebook da Brandili com a jornalista, consultora para assuntos femininos e carreira e colunista da revista Claudia, Cynthia de Almeida, e separei 8 passos para te ajudar a lidar com o dilema: carreira e maternidade, como conciliar. Se quiser assistir, o vídeo está no canal do YouTube da Brandili.

8 passos para conciliar carreira e maternidade:

 

1) Seja honesta com a empresa

Quando for para uma entrevista de emprego, descubra como esta empresa lida com gestantes e mulheres com filhos, identifique se este é um lugar onde você vai se sentir segura para ser mãe além de profissional. Uma empresa que não lida bem com a maternidade, não é um ambiente saudável e não merece seu empenho. Se a gravidez ou a adoção estão nos seus planos, seja clara com seu chefe antes de acontecer. Se a gestação aparecer de surpresa e se já for mãe, defina quais são os limites de horário, emergências médicas e compromissos escolares. Isso vale inclusive para quem já está empregada. Organização e verdade são fundamentais na relação de trabalho, certo?

2) Rede de ajuda

É impossível cuidar de uma criança sozinha. Esta é uma verdade universal e não temos como ir contra. Admitir isso nos deixa menos culpadas e mais seguras para seguir em frente com nossos sonhos. Precisamos de uma mãozinha para dar conta de tudo, principalmente quando decidimos trabalhar. Marido, avós, parentes, amigos, babá, escola… o melhor é sempre aquele que está à disposição para te ajudar e que fica mais perto da sua casa. O mais importante é a criança ter uma rotina, e estar em um lugar e com pessoas com quem ela se sinta segura e você também confie. Sempre deixe à mão desse cuidador os seus telefones pessoais e do seu local de trabalho, telefones de colegas de trabalho que possam te localizar e de médicos, bombeiro, polícia e hospitais para emergências.

3) Pai tem que participar

Quando a gente pega aquele bebê lindo no colo, tem vontade de colocar embaixo da “asa” e nunca mais soltar, certo? Dá ciúme, e até medo, de ver alguém com nosso filho. Só que assim, a gente acaba excluindo, privando e desacostumando o pai de cuidar da criança. Não adianta cobrar depois! Façam juntos, dividam responsabilidades, veja quem é melhor com qual tarefa, revezem nas atividades e no descanso. Isso ajuda inclusive na vida do casal, que se une mais e ganha mais tempo para ficar junto. O filho deve ser uma soma, não exclusão.

4) Tempo é um aliado

Planejamento é tudo na vida! Parece bobagem, mas organizar uma planilha com horários e rotina ajuda muito a lidar com a maternidade. Tudo bem que muitas vezes acontecem os contratempos, mas até isso é encarado com mais leveza se o restante está mais organizado. Se você não tem todo tempo do mundo para ficar com seu filho, ok. O importante é ter qualidade de tempo. Quando estiverem juntos, deixe o telefone de lado e permita que ele escolha o que vocês vão fazer. Temos mania de querer impor uma brincadeira, um passeio, e não deve ser assim. Muitas vezes conversar durante 5 minutos é mais produtivo e mais bacana para ele do que ir ao cinema. É a necessidade do momento mesmo. Não é o que você quer, mas o que ele precisa ou deseja naquele dia. Sair da rotina também é importante e as crianças amam (a gente ganha pontos com eles e os momentos se tornam inesquecíveis). Deixe dormir um dia na sua cama, faça pic-nic na sala, “esqueça” de tomar banho… transgressões leves são sempre bem-vindas! Já trocar tempo por presentes… é uma péssima ideia.

5) Não se culpe

Ainda não tem antídoto contra a culpa, a não ser autoestima reforçada e muita conversa. Você não é a única que se sente culpada por não estar com seu filho o tempo que julga necessário. Como mãe de um menino de 12 anos, posso garantir que chega a hora que os filhos não querem mais nossa companhia, que viramos “mico” e que eles precisam de liberdade. E quando isso acontecer, você vai estar preparada para não ter mais a função de cuidadora em tempo integral? O que vai ser da sua vida? Pense nisso, tenha em mente que criamos filhos para o mundo. Não somos donas de ninguém. Temos que prepará-los para as felicidades e decepções que existem. Amor nunca é demais, mas espaço e liberdade para eles terem uma vida própria, mesmo pequenos, é importante. Você precisa estar segura e feliz para criar um filho com segurança emocional para enfrentar o mundo. Não anule a sua vida por ninguém, nem mesmo por um filho. Educação se faz com exemplos e se amar e amar o que se faz é um grande exemplo. Trabalhar não é abandonar um filho, é dar mais qualidade de vida para você e sua família e ser alguém que ele vai admirar e se inspirar muito.

6) Sem julgamentos

Tem mães que não trabalham e têm mais tempo disponível. Outras trabalham muito. O importante é as mulheres se ajudarem. Vamos parar de colocar culpa e medo nas outras mães. Antes, éramos julgadas pelas nossas mães e sogras sobre nossos cuidados com os filhos. Agora, temos as redes sociais com milhares de pessoas nos dizendo o que é certo e o que é errado. O que é bom para uma, não dá certo para a outra, e tudo bem! Vamos dar dicas e não julgar escolhas. Vamos ser amigas! Crie grupos nas redes sociais para trocar experiências, endereços interessantes, oferecer carona para a escola, fazer vaquinha para comprar presente para a professora… No grupo de WhatsApp da escola do meu filho, por exemplo, as mães que não trabalham ajudam as que tem a agenda mais apertada fazendo pesquisa de material escolar, lembrando data de prova, mostrando onde têm liquidação e até mandando piadas para todas se divertirem… e quem trabalha troca informações e ajuda as outras dentro de sua área, como auxílio de contabilidade, jurídico e etc. Respeito e amizade acima de tudo!

7) Volta pós licença-maternidade

É inegável que bate aquela insegurança sobre como será a volta ao mercado de trabalho, né? Calma, você não é a única! Tenha em mente que o período em que você está afastada para cuidar do seu filho é uma fase nova em sua vida e que irá te deixar ainda mais preparada profissionalmente. Afinal, gerir pessoas é uma qualidade que as mães têm de sobra. Você volta um ser humano melhor: aprende a conciliar, a equilibrar, a dividir tempo e tarefas. Aproveite o seu período de licença para se reciclar e aprender coisas novas também. Faça cursos on line, leia sobre assuntos do seu interesse, invista em atividades culturais, converse com pessoas do mercado e não perca contato com os colegas de trabalho (marque aquele almocinho antes de voltar). Hoje estamos conectados o tempo todo então é possível se manter atualizada sobre as coisas que aconteceram na empresa enquanto você esteve afastada.

8) Largar o emprego e empreender

Se você faz parte do grupo de mulheres que decide sair do emprego e ter seu próprio negócio para ter mais tempo disponível com seu filho, a dica é se planejar. Não se culpe por acreditar que largar tudo para cuidar do seu filho é o mais prazeroso nesse momento. O importante é saber se sua condição financeira permite uma pausa. Caso decida voltar a trabalhar em casa, estude bem o mercado para o qual quer empreender. A grande questão é a divisão de tempo. Às vezes em casa, temos menos tempo do que imaginamos. É necessário se organizar: quanto vou dedicar ao trabalho quanto vou dedicar ao filho? Ter um espaço só para trabalhar e alguém para ajudar a cuidar da criança é fundamental. Gerenciar a própria carreira e empreender é muitas vezes mais desafiador e exige mais tempo do que ter um emprego, pense nisso.

Ser mãe é uma experiência mágica e enriquecedora em nossas vidas. Não se culpe se está trabalhando demais, se precisou viajar, se perdeu uma festa da escola ou não viu seu filho dizer as primeiras palavras. Seu filho não será menos do que qualquer coleguinha porque passa menos tempo com você. Também não se culpe se você deixou a carreira de lado porque acreditou que seria mais importante cuidar do seu filho naquele momento. Acredite na sua decisão e lembre-se: você é a melhor mãe que seu filho poderia ter. E ele vai te valorizar no momento certo. Viva as experiências que a vida lhe dá de presente!

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