Pai que é pai tem que participar! Paternidade ativa por Chris Flores

No dicionário, o significado de pai é bem claro: “homem que cria e educa criança ou adolescente que não foi gerado por ele, mas com quem estabelece laços paternais”. Na teoria, tudo certo, mas por que na prática é tão difícil? Quantos pais você conhece que de fato criam e educam os filhos? Por sorte, há um movimento ganhando cada vez mais adeptos, a paternidade ativa. São pais que dividem com as mães as responsabilidades e deveres no desenvolvimento das crianças. Mais do que tirar a sobrecarga das mães, o objetivo é criar vínculos paternos com os filhos.

A verdade é que é difícil o homem que se preparar para a paternidade como nós nos preparamos para a maternidade. Talvez o maior problema esteja na própria teoria: aquele que não gera, mas que estabelece laços. Sim, é mais fácil para nós, mulheres. Desde nossos primeiros anos somos incentivadas a brincar de casinha e de boneca. Também esperamos os bebês durante nove meses no nosso ventre, sentindo o amor incondicional se formar junto ao próprio feto. Além disso, já nos primórdios da humanidade, o homem saía para caçar, guerrear, conquistar territórios e a mulher ficava sozinha com os filhos. São séculos e séculos em que o homem se exime dos cuidados e vê o papel de pai como mero coadjuvante, como mero provedor de recursos. Mas há algo que pode ser feito, que está bem claro na teoria: estabelecer laços. E a importância disso foi comprovada cientificamente.

Nos anos 1950, o psicanalista britânico John Bowlby, autor da famosa Teoria do Apego, constatou em suas pesquisas que o vínculo estabelecido entre a criança e o adulto dependia mais da sensação de segurança do que do provimento do alimento. Ou seja, os filhos não se apegavam às mães por causa da amamentação e sim, por algo que tanto elas quanto os pais poderiam proporcionar. Segundo Bowlby, o recém-nascido precisa estabelecer um relacionamento com pelo menos um cuidador primário para que seu desenvolvimento social e emocional ocorra normalmente e se apega a quem é sensível e receptivo com ele. É a necessidade de se criar os laços afetivos. Algo que se constrói no dia a dia, a cada mão que segura o filho em seus primeiros passos, a cada fralda trocada, a cada refeição preparada, a cada banho dado, a cada lição feita junto, a cada ninar, a cada momento dividido.

Chris flores e Gabriel

Saiba mais: Chris Flores conta sobre a experiência de ser mãe

O pai ativo é aquele que não quer ser só um ajudante da mãe. Ele é presente, comprometido e carinhoso e sabe que sua participação ajuda na autoestima do filho e na formação dele como ser humano.

Na sua família não é assim? Sempre é tempo de começar e melhorar. Listei aqui alguns passos para ajudar mães e pais a promoverem juntos, uma paternidade ativa! Casados ou separados, é possível!

6 dicas sobre paternidade ativa:

1) Parceria na gravidez

A paternidade ativa começa ainda na gestação. O homem não gera, mas pode curtir junto a gravidez. Ler livros sobre o desenvolvimento do feto, conversar com o bebê, ir às consultas médicas, acompanhar o ultrassom, fazer massagem na mãe, dar palpite no enxoval, participar da escolha do parto e inclusive estar nesse momento lindo em si.

2) Mães têm que ceder

Nós mulheres temos mania de assumir várias funções e achar que os homens não têm capacidade de fazer as coisas tão bem quanto a gente, né? Para que eles possam exercer a paternidade ativa, precisamos confiar neles! É bom tanto para o homem aprender a se virar, quanto para criar vínculos com o filho. Às vezes, o homem não dá opinião nem participa para não desgastar a relação com a mulher. Ele precisa sentir que não é um mero ajudante, mas sim um parceiro que está ali para somar. Colocou a fralda ao contrário? Tudo bem! Na próxima, ele acerta! Mas tem que deixar ter a próxima! Afinal, as mães também não sabiam até terem que fazer na prática, certo?

3) Dividir tarefas

Excesso de trabalho, cansaço e falta de tempo não podem ser usados como desculpa para deixar de interagir com seu filho. Até porque as mães também trabalham fora ou em casa e não se eximem da responsabilidade de cuidar dele. Criança precisa de rotina e o melhor a se fazer é estabelecer uma agenda de cuidados. Nela, tem que estar contemplada a divisão de quem faz o que. Se a mãe faz o jantar, o pai dá banho e vice e versa revezando durante a semana. Dividir é uma maneira de todos ganharem tempo nas obrigações e deixarem mais espaço para brincadeiras, interação entre a família, para o descanso e até para o casal namorar.

4) Faça diferente

Há homens que não tiveram uma relação próxima e de afeto com os próprios pais. Isso não é motivo para deixar de se mostrar presente, nem de dar o seu melhor na sua vez. Lembre-se de que você pode ser o espelho do seu pai ou usar a sua própria experiência de vida para fazer melhor e seguir em frente. Seu pai foi de outra geração, teve uma outra história. Troque experiências com amigos e parentes que são referências de pais para você e aprenda sempre.

5) Sempre é tempo

Seu filho já cresceu um pouco e você ainda não foi o pai que gostaria de ser? Ainda dá tempo! Construa uma relação com seu filho, independente da idade dele. Tente começar pelos momentos de lazer, fazendo com o seu filho o que ele mais gosta. Aproxime-se, estabeleça um diálogo e ganhe a confiança dele para estar perto também na rotina. Converse com a mãe do seu filho sem medo de dizer que quer assumir mais responsabilidades e que está pronto para dividir tudo. Tenho certeza que você será muito bem recebido!

6) Pai separado é pai

Para os homens que se separaram ou que são pais solteiros, a dica é não se distanciar. Cada dia longe do seu filho faz uma tremenda diferença. As crianças crescem rapidamente. Tente buscar ou levar seu filho na escola, jantar e dormir com ele num dia durante a semana. Dá para matar a saudade da criança, e ela do pai, e você ainda participa mais ativamente da vida dela. E não delegue os cuidados com o seu próprio filho para sua mãe, parente ou nova companheira. Seu filho quer você! Estabeleça um diálogo e uma rotina com a mãe do seu filho para que vocês consigam dar a mesma criação e não deixem a criança com sensação de abandono. Respeito entre pai e mãe faz com que a criança se sinta mais segura e feliz para seguir em frente.

Para quem quiser ver mais a respeito, conversei sobre essas questões com o humorista Fernando Strombeck, no Facebook da Brandili. Ele criou um blog muito bacana chamado Papai Comédia, no qual compartilha suas histórias e mostra de maneira leve que a paternidade não é um bicho de sete cabeças, mas sim uma aventura diária enriquecedora! O vídeo está no canal do YouTube da Brandili, confira esse bate-papo sobre paternidade.

Conheça mais sobre a  #CorrentedoAmorBrandili e compartilhe do nosso propósito!

Comente!