“O luto do diagnóstico e a luta pelo prognóstico” por Juli Lanser

Abril é considerado o Mês Azul devido a conscientização do Autismo. Instituído pela ONU, o mês tem como objetivo difundir informações, disseminar inclusão e assim reduzir o preconceito sobre o transtorno. O autismo é um transtorno neurológico caracterizado pelo comprometimento da interação social, comunicação verbal e não verbal e dos comportamentos restritos e repetitivos. Diagnosticar o transtorno não é uma tarefa fácil e demanda uma equipe multidisciplinar além de neuropediatras/neurologista ou psiquiatra. Por ser um amplo espectro não existe uma criança autista igual a outra.

Para falar sobre esse tema importante, chamamos uma mãe que virou especialista do autismo do seu filho: a blogueira e palestrante Juli Lanser. Neste mês, ela está nos trazendo dicas, informações relevantes e compartilhando suas experiências com o seu filho, o pequeno Rafa, que foi diagnosticado com o transtorno em 2015. Confira a seguir o quarto artigo escrito por ela. <3

Leia também os outros artigos: “Meu filho é autista. E agora?”,  “5 dicas para ajudar seu filho com autismo no dia a dia” “5 atividades divertidas para ajudar seu filho com autismo” 

-O luto do diagnóstico e a luta pelo prognóstico.

A maioria das mulheres sonham com o dia que serão mães, idealizam e projetam sonhos, expectativas e fazem inúmeros planejamentos de vida para seus filhos, antes mesmo de nascerem…

Mas é quando seu filho nasce que tudo isso parece estar encaminhado, alinhado e perfeito, então você começa a notar algumas diferenças, ausências e particularidades que lhe fazem buscar ajuda médica e então vem o diagnóstico: Seu filho é autista.

A vida não prepara pais para o diferente, ninguém engravida desejando um filho especial, mas todo mundo sabe que a missão desses pais vai muito além da comum, afinal seus medos, incertezas e angustias são relativamente maiores do que a maternidade típica.

O autismo é um transtorno neurológico que afeta a interação social, comunicação verbal e não verbal e comportamentos restritos e repetitivos, mas dentre tantas perguntas feitas em uma consulta médica, a maioria vem recheada de incertezas, com alguns nãos, outros pode ser, mas a frase não tem cura é sem dúvida a mais desafiadora.

Então os dias passam, seu filho continua ali, lindo, sorridente, dependente de você e com um futuro brilhante pela frente…

É quando a ficha cai, você ganha força no sorriso dele, seu instinto de proteção passa a pulsar mais forte e você sai do “luto” momentâneo para luta…

Luta essa é que não vem com armas ou guerras, ela renasce em busca de amor, de inclusão, de apoio e de mãos estendidas…

Luta para superar-se, para aprender o mais rapidamente como auxiliar seu filho…

Luta para descortinar o autismo dele e encontrar sua melhor versão…

Luta para não olhar o que ele poderia ser e sim o que ele é, e neste momento a cura já acontece no teu coração, pois você sabe que ele pode ser o que ele quiser e tua luta será exatamente por isso…

Tem um ditado popular que diz: Que mães especiais vivem a mesma pressão psicológica de um soldado em guerra, hoje entendo o que isso quer dizer…

A nossa luta não termina quando anoitece, quando o ano acaba, quando as férias chegam…

É uma luta que em alguns momentos é solitária, solidaria e com certeza TRANSFORMADORA em todos os sentidos…

Não há tempo de pensar em fraquezas, por que na maternidade atípica a cobrança é ser FORTALEZA…

E do luto que nunca morreu a luta que nunca acaba, nossos sorrisos vão iluminando os dias, as escolhas, os aprendizados e fortalecendo quem chega nessa jornada na certeza de que quem hoje acolhe e consola mãe já teve outras estendendo as mãos para sua jornada.

A luta do AMOR, da INCLUSÃO e da TRANSFORMAÇÃO é sem dúvida alguma, uma das mais belas do mundo.

Saiba que lutar por quem sem ama, não tem perdedor e sim TODOS GANHAM!

Juli Lanser Mayer

Equipe Brandili

Escrito por Equipe Brandili

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